Monday, June 01, 2009

Convite / O castelo

Em 1ºlugar o meu convite:
Dia 6 pelas 16h30 haverá o lançamento do meu livro Esquinas de vidro em Lisboa no auditório do C.Distriral da Ordem dos Advogados na Rua dos Anjos. Gostaria de dar um abraço a quem quiser estar comigo.

O castelo:

Construir um castelo de mansas pedras
Que guardem a tua paz
Assim como este corpo de mansas células
Onde os olhos defendam os horizontes
Construir um castelo de mansas planícies
Sonhados penhascos e se for tua vontade
Viver nele
Construir um castelo só teu
Onde as paredes amansem as horas
A verdura recolha o céu
Os cheiros o lar
No cimo de uma colina
Onde o vento peça licença para entrar
E não possa ouvir o que te dizes:
Esse castelo é teu
Basta que tu saibas abrir o meu peito

Wednesday, May 20, 2009

café com broa

Deitar a cabeça aonde o sangue repousa
Adormecer como a a matemática coubesse na lousa
O cheiro no giz, na borracha
O café com broa
Hoje subtraio o que me resta
A conta essa que me puseram no quadro
Está errada
Falta multiplicar o amor
Multipliquei a saudade
Num infinito de palavras por dizer

Monday, March 09, 2009

meu camarada

Estou aqui olha para mim
Diz-me para onde queres ir
Este silêncio vem da noite
Quando dormíamos amordaçados
Quero sentir a corrente
Ver florir a liberdade
Fala grita tu és a natureza
Força bendita
Diz-me camarada
O que não vem nos livros
Nem se aprende nas universidades
Leva-me a trabalhar
Leva-me a tua casa
Deixa-me comer contigo
Ao lado dos teus filhos
Dormir acordado
Fazer contas ao frio
Não precisas dizer nada
Estou aqui ao teu lado
Como tu quero a paz
Mas não há paz na injustiça
Vamos à luta camarada
Pela vida que se perde e não se faz
Mostra-me os teus calos
Os teus olhos sem dormir
Na nossa terra os homens andam curvados
Aguentam os mostrengos
Vamos à luta camarada
Vamos semear palavras e muito trigo
Espalhar ventos de mudança
Os nomes são falsos não as ideias
Queremos mudar
Vamos à luta camarada!

Tuesday, December 16, 2008

vou-me embora

Olha vou-me embora
Mastigaste alguma coisa que preste?
Não pergunto se saboreaste

Vou para fora do tempo inventar
Algum espaço não me esquecerei de ti

Um dia virei buscar-te
Ou então pedir-te uma sopa

Trarei um livro em forma de mão
E em todas as bocas virá o meu corpo

Perguntar-me-ás saboreaste?
Serás tu a responder saboreei

Se vieres comigo serei a perguntar-te
Saboreaste?
Serei eu a responder saboreei

Vou-me embora
Como vim sem deitar fora
O que me deste

Friday, December 12, 2008

a nogueira

Uma pequena nogueira perguntou ao sol:
-Porque me dás tanta sede?
A mesma nogueira perguntou ao rio:
- Porque me dás tanta água?
Essa nogueira cresceu deu nozes que caíram ao chão
O chão abriu ela olhou e agradeceu

Friday, November 21, 2008

As mulheres da minha aldeia

As mulheres da minha aldeia
Vivem junto ao rio e à serra
Acordam em lua cheia
E pintam as unhas com terra

As mulheres da minha aldeia
Vestem capucha, calçam socas
Cansadas depois da ceia
Fiam cuidados nas rocas

Têm os filhos que Deus quiser
E só a natura as enleia
E o pão é o que vier

E a alma é o que se quer

O trabalho é a sua teia
E a família a sua ideia
Valem mais que qualquer mulher

As mulheres da minha aldeia

Tuesday, November 18, 2008

arranha-céus

No distúrbio do platinado
Aonde das minas o sangue encontra
Cestos informes carregam as costas
De encontro às casas sem paredes
Nas galeras entupidas em suor
Em remos de costelas partidas enxerga
Não dos olhos inquietos o descanso
No químico hospício os arbustos de argamassa
Tapam o verde dos olhos
Aonde os cavalos se ferram
O sismo fecha ao fogo as portas que abrem
Guaritas de calcinadas sentinelas
O lume só queima quem amordaça o pó
Fermento de arranha-céus
Sobreposatos cativeiros de peixes sem barbatanas
Os bocados perdem a boca
Andantes penas nas garras dos engabnados
Fantasmas que aguardam o silêncio das suas tumbas